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O regime de Maduro estaria por trás do ataque terrorista em Bogotá

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    Tradução: Graça Salgueiro
    O regime de Maduro estaria por trás do ataque terrorista na Escola de Cadetes, assegurou via Skype desde Bogotá, Colômbia, o coronel Luis Alberto Villamarín Pulido, em extensa entrevista com o jornalista Guillermo Arduino no programa Portafolio de CNN em espanhol, que é transmitida desde Atlanta, Georgia, para as audiências de língua hispânica nos cinco continentes.
    Às perguntas do entrevistador, o coronel Villamarín disse:
     O ataque foi icônico porque golpeou a alma mater da formação profissional dos futuros oficiais da polícia colombiana. Foi um objetivo selecionado com antecedência suficiente e, obviamente, como conseqüência de um detalhado e minucioso planejamento das fortalezas e vulnerabilidades da segurança da Escola de Cadetes General Santander.
     As hipóteses acerca dos autores intelectuais e materiais apontam para quatro setores específicos: o regime ditatorial de Maduro, as FARC, o ELN e o narco-tráfico que, desgraçadamente, coincidem todas em interesses contra a Colômbia.
     Convém ao regime de Maduro porque é uma forma de atacar e retaliar contra o governo de Duque que pediu em diversos cenários internacionais que não se reconheça o governo ditatorial do chavismo na Venezuela. Não será estranho que em breve Maduro apareça ante os meios de comunicação afirmando que em vez de se intrometer nos problemas internos da Venezuela, que em seu país não se apresentam estes fatos, que a paz chegue rápido para a Colômbia.
    Convém às FARC porque as supostas dissidências desse grupo terrorista poderão continuar delinqüindo enquanto os “desmobilizados” continuam buscando legitimação política e o “cumprimento do pactuado” em Cuba.
     É importante ter em conta que Iván Márquez apareceu no fim de semana anterior no mesmo acampamento localizado na Venezuela, desde o qual Timochenko anunciou em 2008 a morte de Tirofijo e a designação de Alfonso Cano como novo cabeça das FARC. Por outro lado, esse atentado teria muito de retaliação pela morte de Guacho, a eventual extradição de Santrich, a situação de Márquez e El Paisa na JEP e os novos pedidos de extradição por narco-tráfico pendentes por chegar da justiça federal norte-americana.
     Do mesmo modo, o ataque terrorista tem o carimbo, tem o DNA e o estilo de agir de Márquez e El Paisa, similar ao sucedido no ataque terrorista do Club El Nogal, a bomba na Universidade Militar em 2006, um carro-bomba em frente à Escola Militar. Some-se a isso que El Paisa é o cabeça da frente Teófilo Forero e que ao se transferir para a Venezuela onde estão seguros, podem desde lá planejar e desenvolver ações terroristas em qualquer parte do país.
     Convém ao ELN, para demonstrar força e capacidade de pressão em eventual mesa de conversações, principalmente que desde antes de assinar o pacto FARC-Santos, o ELN e as FARC fizeram um pacto para desenvolver um roteiro estratégico compartilhado, mediante o qual as FARC supostamente se desmobilizavam e o ELN ocupava áreas e continuaria a guerra. Assim as FARC podem pôr suas “dissidências” para “trabalhar” com os elenos. Em síntese, o ELN estaria fazendo um mandado das FARC.
      Convém aos narco-traficantes, devido à morte de Guacho e os golpes contra outras estruturas mas, além disso, porque narcos e guerrilha dirigem muitos negócios ilícitos e as baixas a qualquer um dessas organizações criminais afeta seus sócios.
     Porém, como já se notou, desgraçadamente esta ação demencial favorece igualmente a Maduro, às FARC, ao ELN e aos narcos, então, uma associação para delinqüir integrada por estes quatro atores não seria estranha.
A memória é frágil. O país se esquece de que, apesar da suposta desmobilização das FARC a violência não diminuiu em muitas zonas do país, e claro, uma ação terrorista em Bogotá e para culminar, na sede da escola de formação de oficiais, é um fato que causa maior destaque publicitário.
      Em Bogotá não se explodiam carros-bomba desde há vários anos, mas não se pode esquecer que há menos de dois anos o ELN estourou uma carga explosiva perto da praça de touros da capital.
      O veículo tinha placas de Arauca, estado que está situado perto da fronteira da Colômbia com a Venezuela, local onde delinqüem FARC e ELN. Igualmente deve-se recordar que as FARC assinaram com Santos o pacto particular da “terminação do conflito”, não assinaram um pacto de paz.
      Os organismos de inteligência devem trabalhar a partir do conhecimento da capacidade de mais provável adoção do adversário, por meio da análise metodológica de todos os dados disponíveis. O lógico é que os organismos de segurança do Estado devam entender assim e atuar em conseqüência. A guerra contra o terrorismo comunista na Colômbia não acabou e, em conseqüência, deve-se continuar combatendo contra suas estruturas.
      Não houve um suicídio do atacante nem é a linha de conduta das FARC. Aceitá-lo assim, equivaleria a reconhecer que a morte de Fernando Arellan no ataque ao Club El Nogal foi um suicídio, sem levar em conta que documentos das FARC apreendidos posteriormente demonstraram que a morte de Arellan foi ordenada por Jojoy, devido a que este delinqüente exagerou os montantes nas contas dos gastos da preparação do ataque.
     As contínuas derrotas eleitorais da esquerda radical em vários países do continente, impõem ao governo castro-chavista venezuelano intensificar ações que revivam a esquerda radical como um ator que disputa o poder, e na Colômbia há um cenário essencial para o futuro da revolução chavista na Venezuela.
 
     * Coronel Luis Alberto Villamarín Pulido
     * Especialista em geo-política, estratégia e defesa nacional, autor de 35 livros relacionados com estes temas.